sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A perfeição é a loucura interior.

Quando viemos ao mundo, chegamos rodeados de expectativas derramadas sobre nós, não só de nossos pais, mas também de toda a sociedade que é responsável pela realidade presente.

Sabemos que alguém da sociedade disse que temos que sermos crianças comportadas para que possamos crescer educados e com algum propósito na vida, sendo este último sempre o mesmo, prestar um vestibular para entrar em uma universidade, seguir um sonho profissional meu ou criado por um terceiro que considero importante para mim. Seguindo esta profissão procuro um bom emprego que me der como recompensa um bom salário para que eu possa comprar um carro, uma casa e criar meu patrimônio financeiro, e quando chegamos nessa etapa da vida somos cobrados a assumir uma postura mais responsável que é tida com um relacionamento sério, onde devemos ser felizes e seguir adiante para constituirmos a nossa família, tendo nossos companheiros de vida, além é claro dos filhos e que por sinal quando esses chegam aí que vem a cobrança maior, ser sempre perfeito, de não errar jamais e trabalhar sempre para dar a melhor educação e o melhor conforto a ele.

Jamais somos espontâneos, apesar de que as pessoas sempre falam que apreciam pessoas espontâneas e que apreciam a sua liberdade, mas daí me vem um questionamento como podemos ser espontâneos e livres se tem sempre alguém cobrando algo à gente e se fomos criados acostumados com essa cobrança de sempre procurar algo e nunca se sentir feliz por completo com que já tem? Porque a verdade é que as vezes estamos mesmo felizes, mas sempre cansamos do que temos e vemos que nossa felicidade já não é mesma, e sim mecânica como o nosso dia-a-dia, nossa rotina, nossa vida.

Quem disse que esse exemplo de vida perfeita é o correto? Aliás, quem disse que esse tipo de vida é perfeita? A partir de um momento de nossa vida nós somos capazes de respondermos por nós mesmos e se temos esse dever, porque não podemos dizer o que deve ser feito em nossa vida, o que é importante, se desejo ou não casar e ter filhos, se sou hetero, homo ou simplesmente bissexual, se quero realmente aquele emprego tão invejado por todos ou até mesmo aquela profissão, ou se devo simplesmente medir a razão e a emoção deixando que ambas juntas apenas sintam e façam com que cada qual tome a melhor decisão para si.

Sempre perdemos tempo tentando uma perfeição, mas não pra constar pra gente e sim para uma sociedade que vive com amarguras e que no fim nem sabe realmente o que deseja, vivendo sempre em um futuro que tem como exemplo o passado para que não se cometa os mesmos erros e que o presente é a ponte para se ter esse futuro promissor e perfeito.

Percebo que o presente é o melhor momento da vida, porque no passado temos a certeza de que passou e nada pode ser mudado e só levamos dele os aprendizados de uma vida e o futuro nem temos a certeza se ele um dia vai chegar. E é exatamente por isso que devemos sempre viver a loucura interior, quem disse que essa loucura é proibida? Proibido é proibir como diz a música de Marisa Monte.

Somos todos loucos o bastante para fazermos tudo que sempre tivermos vontade, vamos nos permitir, afinal a melhor sensação de liberdade e saber que se está vivo e quem dita às regras e leis da sua vida é simplesmente você, vivendo a sua democracia pessoal.

Só você sabe o que é certo e errado. Não devemos sentir vergonha pelo que pensamos, muito pelo contrário, devemos ser felizes por termos o direito de pensar sem ser recriminado e daí agir sem temer se isto é certo ou errado para os demais.

Vamos fazer da nossa vida o nosso eterno pensamento, fazendo o que nos dar prazer sem medo de criticas e cobranças, abrindo cada vez mais espaço para sentir e viver a loucura interior.

2 comentários:

  1. Digno. É o que digo; quero errrar todos os dias. Pensem o que pensar, mas sei que disso virão meus acertos. E de fato; vivemos pra nós e pela sociedade.

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  2. Muito bem seu posicionamento sobre tudo... e o pior é que é fato!!!!

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